A farda e a democracia

Nas manifestações de 15 de março, não houve felizmente qualquer impostura grave contra a ordem, o patrimônio ou a liberdade de expressão. Em meio ao traje verde e amarelo do povo pacífico, lá estava a farda cinza-bandeirante do soldado paulista, no sagrado papel de polícia cidadã.

Desta vez, os policiais militares foram recebidos, não com pedras e rojões, mas com uma sonora e prolongada rajada de palmas. Povo e polícia pareciam compor um cinturão de confiança e cordialidade como nunca antes. Crianças faziam selfies com os policiais, adultos queriam entrar nas viaturas, famílias inteiras acenavam para a tropa… Enfim, a reação positiva das pessoas indica que a Polícia Militar ainda possui lugar no coração da comunidade.

Afinal, somos a única instituição que está presente nos 645 municípios do estado. Para muitos, nossa farda evoca justiça e esperança. Um policial militar fardado é capaz de resolver uma crise, mediar um conflito, restabelecer a paz, auxiliar um parto, salvar uma vida e trazer um alívio nos piores momentos da vida.

Porém, dentre todas as percepções, a mais importante é invisível aos olhos. Dizemos assim porque a farda da Polícia Militar ainda encarna valores éticos e morais tão fora de moda hoje em dia. O uniforme militar ostenta as marcas irremovíveis  da nossa história e é bordado com o sangue de muitos colegas mortos em defesa da sociedade. Em outras palavras, a farda é tingida pela cor inconfundível do nosso caráter e dos ideais que um dia juramos defender.

O recado das ruas foi claro: o cinza-bandeirante combina muito bem com as cores da democracia. Que jamais troquemos nosso uniforme brunido pelo trapo imundo dos agressores da sociedade, bandidos, covardes. Este, sim, são os que geralmente sentem repulsa ao militar fardado.

Ricardo Gambaroni – comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo

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