Os pais sempre gostam de mostrar fotos dos filhos, principalmente quando são bebês, para os amigos, familiares e até mesmo os desconhecidos. Com a popularização das redes sociais, o sorriso, careta ou outras fases da intimidade das crianças são vistos por todos os contatos, fazendo com que situações extremamente íntimas sejam publicadas, como, por exemplo, a troca de fraudas ou a primeira vez do uso do penico pela criança.

Embora os pequenos no Facebook estejam alegres, alguns pontos devem ser considerados, já que o compartilhamento em excesso das imagens dos filhos na internet impede que eles tenham controle sobre a próxima imagem no futuro. Por terem a responsabilidade da privacidade dos filhos, os pais devem ter cuidado.

Segundo Márcia Cristina Argeti Perez, professora do departamento de psicologia da educação, a criança na internet é como um objetivo que será contemplado pelos demais amigos da rede. “Os pais costumam contar o passo a passo de tudo o que ela faz, do mesmo jeito que eles contam com detalhes a sua própria vida. Eles estendem essa superexposição para o filho, sem saber se isso poderá ser ruim para eles no futuro”, afirma Márcia.

A doutora em Psicologia Lúcia Williams diz que ainda não há estudos que mostrem os impactos de um excesso de exposição das imagens dos filhos nas redes futuramente. “Entretanto, o uso seguro da internet nos diz que é um risco colocar imagens de crianças de modo excessivo na internet, porque elas podem ser disponibilizadas para fins inapropriados”, diz Lúcia.

Márcia Cristina ressalta que a falta de reflexão sobre o tema é uma consequência dos valores que estão sendo associados à internet. “É vendida a imagem de que o errado é você não postar fotos. As pessoas te cobram para publicar imagens se for viajar, se for a uma festa. Quando um bebê nasce, acontece o mesmo. Mas a criança não pediu para ter a imagem e o comportamento dela expostos e, desde muito cedo, já vivencia essa experiência”, afirma Márcia Cristina.

Ela também diz que na atualidade estamos em uma cultura que valoriza em excesso a imagem. “Alimentamos isso. Deixamos de conversar em uma festa para tirarmos uma foto e postarmos, por exemplo. A criança está crescendo nesse universo”, afirma a professora.

Para o psicólogo João Angelo Fantini, por crescermos nessa cultura de superexposição, é cada vez mais comum que as crianças e adolescentes acreditem que seja natural postar fotos sensuais ou que exponham demais a intimidade. “Cada dia mais a fronteira entre o público e o privado fica indistinta”, afirma o psicólogo.

 

Limites

A vontade de postar fotos de novas conquistas ou aniversários dos filhos é natural, mas devem ter um limite com o exagero. “Na condição de educadores, os pais precisam buscar um ponto de equilíbrio e se questionar sobre a educação dos filhos. Se colocarmos para elas o mundo virtual como uma necessidade, ela vai querer fazer parte disso ainda criança. Estamos propondo que elas ajam como adultas nas redes sociais”, diz Marcia Cristina.

Essa confusão para entender os limites do que deve ou não ser publicado ocorre porque esse universo também é algo novo para os adultos. “Nós também estamos tentando nos educar no meio tecnológico”, afirma a professora.

Ela também acredita que, na dúvida, o ideal é ter cautela. “Há uma linha muito tênue entre aquilo que deve ser privado e o que deve ser acessado pelos outros. Precisamos ser mais meticulosos. É uma área muito nova, da qual ainda não temos muito entendimento e nem legislação suficientemente adequada para nos defender de qualquer problema”, afirma.

 

Cíntia Souza

de Catanduva

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