Publicado: qua, jun 25th, 2014

Bósnia joga bem, vence e acaba com sonho de classificação dos iranianos

Europeus despedem-se com vitória e liquidam qualquer chance dos asiáticos

Crédito: Marcos Brindicci/Reuters

O Irã entrou em campo para encarar a Bósnia – já eliminada, sonhando com a classificação. Para tal, precisava de duas vitórias. A sua e a da Argentina contra a Nigéria, em Porto alegre. Em seu último jogo pela primeira fase, a Fonte Nova recebeu seu pior público até aqui. Mas os iranianos fizeram barulho. Se a Copa é América, na porta do estádio o clima era de “si, se puede”. De todas as torcidas que já vieram à Bahia, a iraniana era a mais pintada. Eles andavam com tintas verde, branca e vermelha. A cada três torcedores, dois tinham as cores no rosto. Se quase pararam a Argentina, não fosse a genialidade de Messi, por que não acreditar? Uma bandeira, já marcando o encontro com a França nas oitavas de final, deixava claro: “They believe”. Nem eram tão otimistas – vários acreditavam no palpite de 2 a 1. Pouco, Se comparado com a chuva de gols que se viu até então na Fonte Nova. Mas, independentemente do placar, o sonho era muito maior: eles queriam fazer história, passando pela primeira vez a um mata-mata de Copa do Mundo.

A Bósnia começou melhor, controlando as ações de jogo. Estrela do time, Dzeko, jogador do Manchester City, teve as duas primeiras chances. O goleiro Haghighi espalmou chute de dentro da área e encaixou uma cabeçada. Pjanic, meia do Roma, ditava o ritmo do jogo. Pelo domínio, era questão de tempo para o gol sair. E saiu. Aos 23 minutos, Dzeko recebeu na intermediária, puxou para a esquerda e finalizou de canhota. Rasteiro e sem tanta força, a la Neymar contra a Croácia. A bola ainda tocou na trave antes de entrar.

O goleiro Haghighi pegou a bola dentro do gol e correu para o meio de campo. Com palmas, tentava acordar sua sonolenta equipe. E pareceu ter dado certo. O Irã, muito mais na raça e embalado pelos gritos de “Irã” vindos da arquibancada, equilibrou a partida. Shojaei, meia do Osasuna que atuou pela direita, era o jogador mais perigoso e lúcido. Foi ele quem acertou o travessão do goleiro Begovic, na melhor chance dos asiáticos no primeiro tempo. Mas, passada a euforia, a Bósnia voltou a se impor e mandar no jogo. Dzeko achou passe espetacular para Vrsajevic, que perdeu ótima chance de aumentar. O chute saiu cruzado, mas sem direção. O árbitro espanhol Carlos Velasco apitou o final deu m primeiro tempo muito parado e pouco jogado. O sonho iraniano, tão latente na porta do estádio, festava cada vez mais distante.

O segundo tempo começou como terminou o primeiro, com domínio bósnio. Todas as jogadas passavam ou terminavam em Dzeko, melhor jogador em campo. Em erro grotesco na saída de bola iraniana, triangulação rápida de Dzeko, Ibisevic e Pjanic que, em posição de impedimento, concluiu cruzado: 2 x 0. Também em uma repetição da primeita etapa, o Irã melhorou. Com o apoio da torcida baiana, que entrou no coro, pressionou. No entanto, uma furada de Dejagah mostrou a fragilidade técnica dos iranianos. A Bósnia, muito mais organizada, mostrou qualidade e administrou o jogo. Não fosse a derrota para a Nigéria, com grande atuação do goleiro nigeriano, os bósnios estariam classificados. Despedem-se honrosamente da Copa.

Perto do final do jogo, aos 37, Ghoochannejad diminuiu para o Irã. O estádio incendiou. Mas a alegria durou pouco e, um minuto depois, Vrsajevic aumentou e fechou o caixão iraniano. Fim de Copa, para ambos, e de sonho para os iranianos. Choro dos jogadores em campo. Pelo jogo, ficou claro que a esperança era quase uma loucura. Daquelas loucuras que só a Copa proporciona e que fazem valer a pena. Despedem-se com aplausos e gritos de “Irã” vindos da arquibancada.

ARENA FONTE NOVA – 25/6

BÓSNIA 3 X 1 IRÃ

J: Carlos Velasco Carballo (Espanha); P: 48001; CA: Besic e Ansari Fard; G: Dzeko (23 do 1º); Pjanic (14 do 2º), Ghoochannejad (37 do 2º) e Vrsajevic (38 do 2º)

BÓSNIA: Begovic (6,0); Vrsajevic (6,5), Sunjic (6,0), Spahic (5,5), Kolasinac (6,0); Pjanic (7,0), Besic (5,5) e Hadzic (6,0) (Vranjes aos 16 do 2º (6,0 ); Susic (6,0) (Salihovic aos 34 do 2º); Dzeko (7,5) (Visca aos 39 do 2º)e Ibisevic (6,5). T: Safet Susic

IRÃ: Haghighi (5,5); Hosseini (5,5), Sadeghi (5,5), Montazeri (6,5) e Pooladi (6,0); Nekounam (6,0), Timotian (5,5) e Shojaei (6,5) (Heydari no intervalo (6,0); Haji Safi (5,5) (Jahan Bakhsh aos 18 do 2º (5,5), Ghoochannejad (6,5) e Dejagah (5,0) (Ansari Fard aos 22 do 2º (5,5). T: Carlos Queiroz

 

 

 

 

 

Fonte: PLACAR