Publicado: ter, jun 24th, 2014

Região tem reservatório mais seco do País

Estão na região três dos quatro reservatórios mais secos do País. São eles: o complexo Ilha Solteira/Três Irmãos – nos rios Paraná e Tietê , interligados pelo Canal Pereira Barreto -, e Água Vermelha e Marimbondo, ambos no rio Grande. Os dados são do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que monitora os 22 principais reservatórios.
A situação mais crítica é a dos reservatórios de Ilha Solteira – terceira maior hidrelétrica do país, localizada no rio Paraná, entre a cidade paulista de mesmo nome e Selvíria-MS – e Pereira Barreto, no Tietê, que atingiu a marca de 0,55% da capacidade, a menor do Brasil. A ONS considera os dois como um só porque abastecem o mesmo sistema. Os rios estão tão baixos que a navegação no Canal Pereira Barreto teve a navegação interrompida.
Os níveis atuais são os piores da história, desde a criação da usina Três Irmãos, em 1993. De acordo com a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), responsável pela hidrelétrica, a usina tem sido desligada no período de consumo mais baixo como medida de minimizar impactos, porém diz que ainda não houve prejuízos na geração.
Em Água Vermelha, município de Ouroeste, o nível também está preocupante, com 18,15% registrados anteontem. Na mesma data do ano passado, o relatório do ONS marcava 92,58% e em 2012, 64,06%. O reservatório de Marimbondo (sistema Furnas), na divisa de São Paulo com Minas Gerais, é outro que sofre com a seca, com 19,27% da capacidade.
Apesar da situação crítica, o Ministério de Minas e Energia afirma que não houve prejuízo na geração de energia porque está chovendo em outras regiões do País. Porém, por conta da estiagem, a vazão nas barragens é reduzida, o que deixa os rios ainda mais baixos.
O rio Grande, por exemplo, estava na último domingo com 417 metros cúbicos por segundo. A média do período nos últimos anos variava entre 1.100 e 1.600 metros cúbicos, de acordo com o Boletim Diário da Operação do ONS.
As marcas da seca estão nas margens e no próprio curso d’água. Os pés da ponte da BR-153, antes submersos, agora estão totalmente à mostra. Além da construção e de ferros da ponte, a pedras do fundo do rio aparecem.
Em alguns lugares é possível andar à pé até o meio do leito e a água não chega nem na cintura. É isso que tem feito pescadores amadores, na busca por um bom peixe. O aposentado Joaquim Cândido de Souza, 78 anos, tentava pescar na última sexta-feira, porém estava pouco esperançoso. Desde cedo no rio, no meio da tarde ele ainda não havia fisgado nenhum peixe. Há 9 anos que pesco aqui e nunca vi tão vazio. O rio acabou”, afirma.
Assim como Souza, diversos pescadores se arriscavam no meio das pedras em busca de águas mais profundas, mas poucos foram os que tiverem sucesso. Os covos estavam quase todos vazios.
Mesmo com redes, os pescadores profissionais não têm tido muito sucesso. “Geralmente a seca acontece da metade do ano para frente. Desde 2001 que não baixava assim no primeiro semestre. A nossa preocupação é com os próximos meses”, diz o pescador Ednando Alves Neves, 40 anos.

 

 

Elton Rodrigues
elton.rodrigues@diariodaregiao.com.br