Publicado: sex, jun 20th, 2014

Goleada azul: França ignora ferrolho, massacra e goleia Suíça por 5 x 2

Blues aproveitam a invasão, e o clima da torcida, para humilhar os vermelhos

Crédito: Adam Pretty/Getty Images

Salvador sofreu uma verdadeira invasão francesa para o terceiro jogo na Arena Fonte Nova, igual àquela praticada por corsários e piratas franceses, em todo o litoral nordestino, no século XVII. Se lá a França não tinha colônias e precisava buscar recursos, aqui eles queriam mostrar que, mesmo não tendo vindo ao Brasil entre as seleções mais faladas, chegariam longe e fariam barulho (literalmente). Na véspera do jogo, a cidade já estava pintada de azul. Não que não houvesse suíços, mas o sotaque mais ouvido era de longe o da terra do “u”. Na hora dos hinos, o coro durante a Marselhesa comprovou.

No papel, as duas seleções apostaram em esquemas de jogo parecidos – o tão falado 4-2-3-1. Mas, quando a bola rolou, foi a França quem tomou a iniciativa do ataque. Karim Benzema – que está jogando pela esquerda, enquanto Giroud faz as vezes de centroavante, deu o primeiro chute a gol, de curva. A bola passou cheia de veneno à esquerda do goleiro Benaglio. A França começa muito melhor o jogo. Cruzamento de Valbuena para Benzema e a zaga afasta. Na cobrança de escanteio, Giroud, do Arsenal, sobe muito e nem goleiro, nem zagueiro – que estava em cima da linha, conseguem evitar o gol. Um minuto depois, contra-ataque puxado por Benzema e Matuidi finaliza rasteiro: 2 x 0 para os Blues antes dos 20 minutos do primeiro tempo.

A Suíça, que estava muito mais em um 4-5-1 do que um 4-2-3-1, sai com tudo para o ataque. Lloris faz duas defesas espetaculares e a torcida, que já havia gritado seu nome, torna a fazê-lo. O goleiro do Tottenham é um dos líderes e ídolos da França. A saída ao ataque dos suíços, que na Copa de 2006 foram eliminados sem tomar um gol sequer, abre ainda mais espaços para o rápido ataque francês.

Benzema carrega a bola pela esquerda e é derrubado pelo zagueiro Djorou. Pênalti tão claro, quanto infantil. O atacante do Real Madrid poderia marcar o seu terceiro gol na Copa, mas Benaglio defende. No rebote, Valbuena tem o gol vazio, mas acerta o travessão. Ao lado de Busquets, contra o Chile, entra para o hall de gols perdidos mais feitos da Copa. Em outro contra-ataque mortal da França, triangulação perfeita de Benzema, Matuidi e Giroud, que serviu o gol de bandeja para Valbuena, dentro da área, só completar. 3 x 0 e, antes de terminar a primeira etapa, os Blues já gritavam olé com o toque de bola francês.

O segundo tempo começa com a Suíça buscando mais o jogo, mas longe de incomodar a zaga francesa. Shaqiri, jogador do Bayer de Munique, é quem mais dá trabalho. Ele tenta um chute de longa distância, que passa à esquerda do gol de Lloris. Dzemaili, que entrou no intervalo, é outro que arrisca de longe. Dessa vez com mais perigo. Mas a torcida francesa, aos gritos de “Allez les Bleus”, parece estar mais entretida com a ola e com a festa.

Pogba, que foi titular contra Honduras e entrou no lugar de Giroud hoje, dá ótimo lançamento e Benzema completa cruzado. É o terceiro gol do atacante, artilheiro da Copa até aqui. E podia ser mais, caso não fosse dado gol contra para o goleiro hondurenho e ele próprio não tivesse desperdiçado uma cobrança de pênalti hoje. Mas o camisa 10 ainda queria mais. Recebeu a bola na entrada da área e, de garçom, só rolou para Sissoko entrar correndo, bater cruzado e fazer o quinto. Um lance muito parecido com o gol de Carlos Alberto Torres na final da Copa de 70, contra a Itália. E a atuação francesa foi digna daquela Seleção.

O massacre continuou – ainda teve meia bicicleta de Benzema dentro da área e chance desperdiçada por Evra na cara do gol. A defesa instransponível – o paredão vermelho, hoje foi atropelado. O jogo ficou ainda mais corrido no final. Mas nem os gols de Dzemaili, em cobrança de falta, e Xhaka, aproveitando grande lançamento de Inler, diminuíram a festa. O juiz apitou o final de jogo um pouco antes da finalização de fora da área de Benzema, evitando o sexto gol francês. Mas quem se importa? Benzema assumiu o protagonismo com a saída de Ribery. Valbuena e Giroud, cada um ao seu estilo, são boas opções de frente. Pogba, da Juventus, ainda é uma excelente alternativa. Matuidi e Sissoko são dois volantes modernos que chegam muito bem à frente, assim como Paulinho deveria estar fazendo no Brasil.

Todos os comentários da torcida, na porta da Fonte Nova, terminavam com uma repetição de 98, dessa vez em solo brasileiro. Até uma réplica daquela taça havia. Pelo futebol apresentado hoje, os Blues mostraram que essa expectativa parece não ser tão irreal como muitos achavam.

FICHA TÉCNICA E NOTAS

ARENA FONTE NOVA – 20/6

SUÍÇA 2 X 5 FRANÇA

J: Bjorn Kuipers (Holanda); P: 51003; CA: Cabaye; G: Giroud (17 do 1º), Matuidi (18 do 1º) e Valbuena (40 do 1º); Benzema (22 do 2º), Sissoko (28 do 2º), Dzemaili (81 do 2º) e Xhaka (87 do 2º)

SUÍÇA: Benaglio (5,5); Lichtsteiner (4,5), Djourou (5,0), Von Bergen (Senderos aos 9 do 1º (4,5)), Rodriguez (5,5); Inler (6,5), Behrami (5,0) (Dzemaili no intervalo (6,5)) e Xhaka (6,5); Mehmedi (5,5); Seferovic (5,5) (Drmic aos 24 do 2º) e Shaquiri (6,0). T: Ottmar Hitzfeld

FRANÇA: Lloris (6,0); Debuchy (6,0), Varane (6,5), Sakho (5,5) (Koscielny aos 21 do 2º (6,0)) e Evra (6,0); Cabaye (6,0), Matuidi (7,5) e Sissoko (7,0); Benzema (7,5), Giroud (6.5) (Pogba aos 18 do 2º (6,5) e Valbuena (7,5) (Griezmann aos 37 do 2º). T: Didier Deschamps

 

 

 

 

 

Fonte: Placar