Publicado: dom, mar 2nd, 2014

Para a PM, a realização de leilões que vendem motocicletas com baixos preços em Votuporanga, estimula o crime

De acordo com o tenente, o furto de motocicleta é uma das principais preocupações da Polícia Militar, pois o furto de veículos em geral é uma das metas a ser traçada pelo Governo do Estado, e a PM quer reduzir o índice.

Uma onda de furtos de motocicletas está sendo registrada em Votuporanga ultimamente. Segundo a Polícia Militar de Votuporanga, é comum a apreensão de motocicletas com características de leiloadas.

“Nas diversas abordagens nas operações de bloqueio, nos deparamos com motos furtadas, ou seja, com o chassi apagado, sem numeração da moto”, afirma o tenente Takebe da PM de Votuporanga.

Quando os policiais se deparam com esse tipo de situação, eles imediatamente encaminham as motos para o Plantão Policial, e em seguida, a motocicleta é passada por perícia. “Muitas vezes, as motos são consideradas furtadas ou consideradas de leilão, e a pessoa acaba nem sendo presa”.

Para o tenente, a PM avalia isso de forma negativa, pois facilita que as motos de leilão sejam utilizadas em roubos, além de que as pessoas se aproveitam para furtar outras motocicletas e colocar peças das motos furtadas para serem utilizadas nas motos de leilão.

De acordo com o tenente, o furto de motocicleta é uma das principais preocupações da Polícia Militar, pois o furto de veículos em geral é uma das metas a ser traçada pelo Governo do Estado, e a PM quer reduzir o índice.

Segundo o tenente, quando os policiais apreendem um veículo furtado, seja motocicleta ou automóvel, o veículo apreendido é imediatamente encaminhado para a Delegacia de Polícia, onde se for considerado produto de furto, a PM registra um boletim de ocorrência. “Agora, se estiver raspado, o veículo é encaminhado para a realização de perícia”.

Para Takebe, a realização desses leilões que vendem as motocicletas com baixos preços estimula o crime. “As pessoas que adquirem essas motocicletas de leilão geralmente utilizam para furto”.

Recentemente, Votuporanga teve um leilão de motos, e nessa semana, duas motos foram encontradas “depenadas” pelos ladrões, uma foi encontrada na rua Jardim Botânico e a outra em uma mata no bairro Comerciários. Nos dois casos, os ladrões retiraram os motores de 250 cilindradas e outras peças para provavelmente colocar nas motos de leilões, e deixaram as peças que não interessam abandonadas nesses dois locais.

 

Guincho

Segundo Laura Sanches, administradora do guincho Sanches de Votuporanga, são recolhidas mais ou menos de 500 a 600 motos anos. Isso apenas no guincho Sanches. Votuporanga possui dois pátios de apreensões permissionários do Detran.

Os pátios não fazem os leilões, quem prepara tudo, como publicações, notificações, pesquisas dos veículos que poderão estar disponível para serem leiloados é o Leiloeiro Oficial do Detran, os Pátios de recolha de veículos para o Detran detém apenas a guarda dos veículos. “Os pátios não têm autonomia para leiloar, qualquer cidadão pode participar do leilão, os veículos saem do Pátio sem placas e numeração do chassi pinado”, afirma.

Em Votuporanga, segundo Laura, está havendo um crescimento dessas apreensões, principalmente de motos. “Há muitos condutores não habilitados, e esse é um dos motivos desse crescimento, depois vem embriaguez ao volante e veículos que circulam sem estarem devidamente licenciados, ou adquiridos em leilões e colocados novamente em circulação. Algumas vezes acaba sendo usado para pratica do crime, pois não tem identificação de placa e chassi, podendo ser abandonadas durante a perseguição. Som alto também cabe recolha do veículo, e somente é liberado após pericia técnica”.

Os veículos são liberados, tanto moto como carros pelo órgão responsável que é o Detran, mediante apresentação da documentação exigida por lei ao Diretor do Detran de Votuporanga. “Assim, o Detran emite uma Liberação autorizando o Pátio a fazer  devolução do veículo ao seu proprietário de fato. Quanto a conservação sempre no estado em que foi recolhida, é feito uma vistoria no ato da recolha em guia que fica uma com o condutor do veículo, outra com o órgão que efetuou a recolha e uma segue para o Detran. Na retirada é feito uma nova vistoria e o proprietário do veículo assina que recebeu seu veículo nas condições que foi recolhido no Pátio, porém veículos adquiridos em leilões que voltarão a circular não são liberados, ficando no pátio disponível para novos leilões. Houve casos no ano de 2012/13 em que um Juiz determinou a destruição da moto porque não havia nenhuma identificação”, declara Laura.

Segundo Laura, há muitos mitos sobre os Pátios de Recolha de Veículo, “porém somos permissionários autorizados pelo Detran. Publicada em Diário Oficial, existe Portaria para essa permissão, os valores cobrados são determinados pelo Detran que estão na Tabela “C” do Detran. Essa publicação é editado todo início de ano, esse ano 2014 os valores determinados pela Tabela C, é de R$ 221.54 para o rebocamento de veículo, e R$ 22.15 para Estadias do veículo por dia. Nosso compromisso é de guarda e cuidado com todos os veículos que entram no Pátio tanto para os novos quanto para os mais velhos. Não podemos esquecer que aquele bem ali depositado tem um valor para seu proprietário, independente do valor real”, finaliza.

 

Delegado Seccional

O delegado seccional Osny de Marchi, afirma que seis apreensões são registradas por dia em Votuporanga. Desde o dia 2 de janeiro, todo desmanche de veículos tem um credenciamento junto ao Detran e à Receita Federal. “Só poderão vender as peças dos veículos desmanchados, nunca o veículo inteiro”, relata o delegado.

De acordo com Osny, as peças que serão vendidas, deverão ser gravadas com o número do chassi de onde foram retiradas. “Está proibida a venda das peças e componentes principais que dizem respeito aos veículos sem antes serem condicionados, até que sejam recuperados por fins especializados”, declara Osny.

Segundo ele, a Lei do Desmanche estabelece um prazo de seis meses para as empresas de desmanches de veículos se adequarem. Após isso, a fiscalização em cima dessas empresas fica sob responsabilidade do Detran e da SSP. “Os estabelecimentos que não se adequarem, poderão pagar multa entre R$ 10 a 30 mil reais, podendo chegar ao fechamento da empresa”, declara.

Na região, existem dezenas de desmanches de veículos, as empresas que são cadastradas já cumprem as metas, mas serão fiscalizadas do mesmo jeito. “Os criminosos geralmente preferem motocicletas para serem furtadas ou roubadas”, declara Osny. Paola Munhoz/Votunews