Publicado: qui, jan 11th, 2018

Zu Laiê inicia 2018 com seu primeiro EP autoral

Cantora e compositora Zu Laiê inicia 2018 com seu primeiro EP autoral, Mensageiro, cujo show de lançamento será realizado no Sesc nesta quinta
Após três anos de ‘escola’ na cena musical da região, Zu Laiê se diz pronta para dar mais um passo em sua carreira

Três anos se passaram desde que a cantora e compositora Zu Laiê voltou de Londrina (PR) para Votuporanga, sua cidade natal, de onde iniciou a incursão na cena musical da região ao lado do violonista José Cássio Jaber, seu grande parceiro. O grupo de música popular criado por eles, o Iaiá Me Sacode, circulou por inúmeras cidades e os conectou a inúmeros artistas, que se tornaram, mais que parceiros, grandes amigos.

Esse período foi de extrema importância para Zu Laiê afirmar sua condição de artista da música, e, sobretudo, entender a dinâmica de um universo pautado por um criação de escala industrial, que atende às pressões de um mercado sedento por algo novo a cada clique do mouse.

Na contramão desse ritmo, de um modo bem caipira, bem matuto, bem Manoel de Barros, ela e Jaber vieram lapidando uma obra autoral que não pediu pressa para nascer. Surgiu delicadamente, assim como a sonoridade impressa nas seis canções que dão vida a Mensageiro, o EP de estreia de Zu Laiê que é lançado, nesta quinta-feira, 11, tanto na internet como nos palcos, já que ela também faz show na comedoria do Sesc Rio Preto.

“Optamos por uma formação musical que é difícil, que reúne cordas, instrumentos acústicos. É uma captação diferente dessa em que todos os instrumentos estão plugados. As próprias músicas pediam esse tempo, esse ritmo”, comenta Zu Laiê, que ensaiou com os músicos semanalmente durante seis meses antes de entrar em estúdio para gravar ao vivo, sem cortes, sem emendas.

“Queria um trabalho quente, orgânico, que aproximasse as canções dos ouvintes, dando a sensação de que estamos ao lado deles cantando e tocando”, reforça a artista, que gravou as seis faixas de Mensageiro no conceituado estúdio Gargolândia. Além de Jaber (violão de sete cordas), participaram os músicos Renan Santos (cavaquinho e viola), André Fernandes (violão), Mauro Zacharias (trombone), Gustavo Bombonato (escaleta), Filipe Murbak (bateria e percussão) e Kauê Rocha (percussão).

“Foram muitos ensaios para alcançar o entrosamento perfeito. Os músicos acreditaram na ideia desse trabalho, entenderam que ele iria ser algo legal e se dispuseram a ensaiar. O Cássio (Jaber) fez todos os arranjos originais, mas todo mundo colaborou, em estúdio, nos arranjos finais”, diz. O show de lançamento conta com a participação de todos os músicos, exceto Mauro, que será substituído pelo irmão, Maurício Zacharias.

Primeiros passosO nome do EP de estreia de Zu Laiê faz referência ao conceito do trabalho, em que a artista passa sua mensagem por meio de uma musicalidade que bebe em fontes bastante populares da música brasileira. “O mensageiro é a figura do grande comunicador, do que traz boas palavras, que abre caminhos. Como Esú na religiosidade africana, que é o grande comunicador, a nossa centelha humana.”

A sonoridade ligada à cultura afrobrasileira predomina, mas a artista faz questão de ressaltar que não se tratam de música de forte pegada percussiva. ”Mesclamos fontes de várias matrizes. O violão de sete cordas, em formação com o violão de seis cordas e o cavaquinho, traz essa coisa do chorinho. O sopro já conecta com a gafieira. Há uma base percussionista mais discreta.”

Envolvida dos pés à cabeça com o lançamento de Mensageiro, Zu Laiê ainda não parou para dimensionar a importância desta quinta-feira para a sua carreira musical, mas reconhece o mérito por um trabalho que não se deixou contrariar pelas pressões do mercado, do lucro rápido. “Dei um passo contrário a isso. O africano é bem isso, tem o seu tempo próprio. É o começo de um grande começo”, sentencia.

Serviço

  • Show de lançamento do EP Mensageiro, de Zu Laiê. Hoje, às 21h, na comedoria do Sesc Rio Preto (Av. Francisco das Chagas Oliveira, 1333). Gratuito
Legado africano ganha a cena

O show de lançamento do EP Mensageiro, da cantora Zu Laiê, é antecedido por uma programação dedicada a manifestações da cultura afrobrasileira. Todas as atividades são de graça.

A noite tem início, às 19h30, com a exibição do documentário Samba Riachão, que, a partir da trajetória de Clementino Rodrigues, o Riachão, mostra a importância do samba para o povo brasileiro. O filme traça um panorama do samba na Bahia, onde Riachão viveu mais de seis décadas.

Na sequência, às 20h, o músico, artista visual e tatuador Wild Wilde realiza a intervenção Laarooye!. Trata-se de uma prática de troca em que o objetivo central é desmistificar Esú, o mais injustiçado e incompreendido dos orixás da religiosidade africana, além de questionar o quanto de preconceito as pessoas carregam dentro de si.

Logo depois, às 20h30, a atriz e dançarina Tauane Alamino, da Cia. do Santo Forte, apresenta a performance Arrenda Homem Que Aí Vem Mulher – Quarto Experimento. Ela ritualiza seu próprio corpo para usufruir do prazer e confrontar os padrões em que vive. Inspirada pelas pombagiras da umbanda e misturando cenas de trabalhos anteriores, relatos pessoais e de outras mulheres voluntárias, essa mulher provoca de maneira sutil referências sobre o gênero feminino que fazem parte do inconsciente coletivo.

Harlen Félix – diarioweb.com.br

Foto: Bruna Ferreira/Divulgação