Publicado: qui, nov 9th, 2017

‘Houve crime sexual’, afirma delegado sobre caso Kelly

Para autoridade regional da Polícia Civil, César Felipe Colombari da Silva, não há dúvidas que acusado abusou sexualmente de jovem de 22 anos; reconstituição do crime foi nesta quarta-feira, dia 8, em Frutal.

A Polícia Civil de Frutal fez nesta terça-feira, dia 8, a reconstituição do assassinato da vendedora Kelly Cristina Cadamuro, de 22 anos. Jonathan Pereira do Prado, de 33 anos, que confessou o crime, contou com riqueza de detalhes como matou brutalmente a vítima, no dia 1º deste mês. Ele voltou a admitir que agiu sozinho. Prado negou que tenha praticado violência sexual. “O autor está mentindo quanto as acusações de crime sexual. Ele confessa o latrocínio e a ocultação de cadáver, mas nega que tenha abusado da jovem. Para as investigações está claro. Houve crime sexual. Existem todos os indícios para isso”, afirmou o delegado regional da Polícia Civil César Felipe Colombari da Silva.

A reconstitução do crime durou aproximadamente duas horas. O delegado responsável pelo caso, Bruno Giovanini de Paulo, acompanhou todo o procedimento. A todo o momento, ele fazia perguntas e pedia para que Prado detalhasse todos os passos, desde o momento que entrou no carro da vítima em Rio Preto até o local onde foi encontrado o corpo. O acusado disse que quando estavam a aproximadamente 30 quilômetros de Itapagipe (MG), pediu para que a vítima parasse no acostamento para ele urinar.

“Quando ela parou, dei uma cotovelada no rosto dela e apliquei uma gravata. Já abri a porta do meu lado e tirei o cinto de segurança e comecei a puxá-la para o lado do passageiro. Já do lado de fora do carro, ela caiu inconsciente. Usei a corda que tinha no meu bolso para amarrar as mãos e o pescoço”, contou Prado.

Mesmo amarrada, a jovem fez um movimento que o acusado não soube explicar e por isso voltou a agredí-la. “Acho que ela ia retomar a consciência, por isso se mexeu. Então dei um soco na cara dela e a coloquei no banco traseiro”, disse.  Foi então que Prado assumiu o controle da direção do veículos e retornou aproximadamente 800 metros. Ele entrou em uma estrada de terra de difícil visualização, o que deixou claro para os investigadores que ele conhecia o local. Ali, Prado estacionou o carro da vítima e a tirou do carro. “Ela ainda estava desmaiada. Passei o corpo dela por debaixo da cerca e arrastei em direção ao córrego”. Quando questionado pelo delegado se ela tinha sinais vitais neste momento, o suspeito não soube dizer. Alegou que, além de estar bastante assustado e nervoso, estava escuro.

“Quando cheguei às margens do córrego, acendi a lanterna do meu celular e vi que ela estava com a boca ensanguentada. Parte da calça dela estava ligeiramente abaixada devido o atrito das pernas com a terra. Em seguida a peguei pela cintura da calça e a soltei no barranco”, afirmou.

Neste momento, o corpo de Kelly caiu no córrego. No dia que foi encontrada, a vítima estava com parte do corpo, inclusive a cabeça, submersa. As causas da morte são desconhecidas, a Polícia Civil aguarda a conclusão de exames necroscópicos para apontar se a jovem morreu por asfixia mecânica – devido a corda amarrada no pescoço -, ou por afogamento.

Participações descartadas

O delegado César Felipe também descartou a participação de outras pessoas na morte da vendedora. Para ele, não resta dúvidas que Prado planejou todo o crime sozinho. “Não houve ação ou participação direta de outras pessoas no crime. Tivemos outras duas prisões, mas estes por receptações. Foram indivíduos flagrados com os pertences da vítima. Mas o Jonathan desde o momento que entrou o carro até ceifar a vida da jovem, estava sozinho. Lógico que ainda vamos continuar a investigar, mas tudo aponta para este resultado”, disse.

Trânsito interrompido

Para que a reconstituição do crime fosse realizada sem transtornos, a Polícia Civil interditou o trânsito da rodovia MG-255. Uma longa fila de veículos se formou, o que despertou a atenção de motoristas curiosos que acompanharam o trabalho a distância. Para segurança de Prado, durante toda reconstituição ele usou um colete a prova de bala e também um capuz. Na conclusão dos trabalhos, ele retornou ao sistema prisional mineiro onde ficará à disposição da Justiça.

ALEX PELICER – Gazeta de Rio Preto

Enviado Especial