Publicado: qua, nov 1st, 2017

Brasil é o 7º pior para se pagar imposto no mundo

O Brasil é de longe o campeão mundial no tempo gasto pelas empresas na preparação de documentos para o pagamento de impostos e contribuições: 1.958 horas ao ano, seis vezes a média de 332 horas registrada nos países da América Latina e Caribe, de acordo com o último relatório do Banco Mundial sobre ambiente de negócios em todo o mundo.

No critério “pagamento de impostos”, que incluiu o porcentual recolhido em relação ao lucro, o Brasil aparece na 184.ª posição entre os 190 países analisados no Doing Business 2018, divulgado nesta terça-feira, 31. Isso significa que é o sétimo pior país do mundo para o pagamento de impostos. No levantamento anterior, o País estava no 181.º lugar.

O pagamento de impostos é um dos dez critérios usados pelo banco para medir as dificuldades enfrentadas por empresas em suas operações em cada país. O Brasil caiu na classificação geral da 123.ª para a 125.ª posição, apesar de ter registrado um pequeno avanço na sua performance. A queda relativa foi consequência de progressos ainda maiores em outras 146 nações.

Otaviano Canuto, representante do Brasil no Banco Mundial, disse que o aumento da eficiência no comércio exterior foi o principal fator que levou ao aumento da “nota” do País de 56,07 para 56,45 A alta de 0,38 ficou abaixo do avanço médio de 0,76 de todos os avaliados no ranking.

O número de horas para realizar procedimentos burocráticos na exportação caiu de 18 para 12. No caso da importação, a redução foi ainda mais acentuada, de 120 para 48 horas. “A mudança no portal do comércio exterior é fundamental”, disse Canuto em entrevista a jornalistas brasileiros em Washington. Mas o Brasil continua a ter o 13.º maior custo para realizar exportações entre os 190 países: US$ 959, mais que o dobro dos US$ 400 registrados no México. Na Argentina, o valor é de US$ 150.

A classificação geral do Brasil no Doing Business é inferior à de todos os seus sócios no Mercosul e à dos parceiros no Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). “O nosso ponto de partida é um Doing Business horroso”, afirmou Canuto. “Parte disso é a complexidade de ser uma federação e parte é o nosso estilo de capitalismo de compadrios, onde você coloca dificuldade para vender facilidade”, disse o economista.