Publicado: qui, ago 31st, 2017

Não é o bastante… artigo de Orlando Ribeiro


O grande mal do mundo é a gente não saber conviver. Estamos ficando cada vez mais intolerantes com as falhas do outro, o que me faz lembrar uma historinha dos tempos de minha avó Sinhá Ana. Era uma vez um jovem que perguntou ao sacerdote de sua cidade: – Padre, como faço para não me aborrecer?

 

Algumas pessoas falam demais e outras são tão ignorantes. Muitas são indiferentes e tantas são mentirosas. Sofro muito com as calúnias que levantam a meu respeito. O religioso respondeu: – Pois viva como as flores! Mas, o rapaz não entendeu:- Como viver como as flores? O clérigo explicou:- Repare nestes lírios, eles nascem no esterco, entretanto são puros e perfumados. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume e o fedor da terra manchem o frescor de suas pétalas.

 
O que o padre quis ensinar ao jovem é que pode ser muito justo angustiar-se com os nossos vícios, mas não é sábio permitir que os defeitos dos outros nos aborreçam. Afinal, se os defeitos deles não são nossos, não há razão para deixar que eles nos atravanquem o caminhar. Aprendamos a viver, recusando nos alimentarmos de todo o mal que venha de fora, não nos contaminemos pelo que nos rodeia. É isso que deve ser “viver como as flores”.

 
O mundo moderno nos cobra pelo sucesso e, por isso, tem gente que busca tanto vencer, que não se importa em pisar nos outros. Então, o que mais ouvimos por aí é que “este mundo é muito competitivo”, o que endossaria nossas ações vergonhosas. Por isso, tem gente que corrompe, por isso muitos são corrompidos. Na busca pelo sucesso, deixamos de ser pessoas para virarmos rolos compressores, passando por cima de tudo e de todos. Compramos o que a moda nos dita só para “não ficar por baixo”. Damos beijinho nos ombros, mas o fazemos destilando o pior dos venenos. Ah, mas não somos perfeitos – diríamos em nossa defesa. Claro que não, se Deus nos quisesse perfeitos, teria nos criado prontos e acabados. Nada disso, Ele decidiu criar seres à procura e em direção da perfeição, tanto Dele próprio quanto de todos os outros. No polêmico livro de N. Kazantzaki, Última Tentação de Cristo, um personagem pergunta a Deus qual o seu verdadeiro nome. A voz responde: – O meu nome é “Não é bastante”, pois é assim que grito em silêncio a todos aqueles que se atrevem a amar-me. Amar não é bastante. Crer não é o bastante. O amor não é o bastante. Não amamos o suficiente, pois os caminhos do amor são infinitos, mas se vivermos como as flores, só retiremos do caminho e da realidade que nos cerca, o que nos será bom para crescer e viver, embelezando o mundo e perfumando a vida de todos que amamos.
Orlando Ribeiro
Técnico do Executivo na Prefeitura de Votuporanga, mestre de cerimônias na CerimonyAll, especializado em cerimoniais de casamentos, debutantes e eventos corporativos
No Twitter: @orribe e endereço eletrônico: orlando.leitor@gmail.com/ Artigo publicado  Diário de Votuporanga