Publicado: qui, jun 8th, 2017

Colcha de retalhos: Por Orlando Ribeiro

Intitulei este artigo com o nome de “Colcha de Retalhos” porque é justamente isso que ele é: uma compilação de fatos, pensamentos esparsos, conclusões (algumas, talvez, precipitadas, por isso já peço perdão de antemão) e devaneios de uma segunda-feira (que é o dia em que estou escrevendo).

Começo lembrando esta linda passagem de Madre Teresa de Calcutá, que conta seu caminhar, certa vez, por uma rua de Londres, quando viu um homem sentado que parecia muito só. Aproximando-se dele, estendeu-lhe a mão e o cumprimentou. Ele disse: “Há quanto tempo não sinto o calor de uma mão!” A religiosa nos adverte que um gesto assim tão pequeno pode dar muita alegria. Ela conta ainda que, doutra feita, na Índia, um mendigo a reconheceu e afirmou que “também gostaria de doar alguma coisa como todos outros o fazem, e ofereceu à Madre, a quantia dez paisa, uma quantia insignificante. Ela sabia que se aceitasse ele não poderia comer naquele dia; mas, se não aceitasse, iria ofendê-lo gravemente. Aceitou a oferta e aquela quantia teve mais valor que o Prêmio Nobel, de 1 milhão de dólares, que receberia futuramente.

Tudo na vida é uma questão de decisão interior, é preciso que a gente queira mudar para que as coisas mudem também. Crescemos com os antigos dizendo que Deus ajuda e, equivocados, nos quedamos à beira da estrada dos infortúnios, esperando que Ele desça das nuvens e resolva nossa vida. Não, é preciso saber como é que Deus nos ajuda. Não é resolvendo os nossos problemas, nos dando casa nova, carro do ano ou pagando nossas contas, como apregoam alguns religiosos nestes programas de televisão. Não, a única moeda de troca que Deus aceita é o amor. Esse sentimento que é fruto de uma consciência mais afetiva que racional, uma energia que faz com que cada coisa tenha um significado, um rumo, que nos leva sempre na direção do outro. Uma força pacífica e reconciliadora e, ao mesmo tempo, com uma violência tão extraordinária, capaz de nos fazer “deixar andar”. O amor é uma extraordinária capacidade de entrega ao trabalho do bem, sem que queiramos ser donos do tempo, ou mesmo donos de nós mesmos e, sobretudo, dos outros.

Como Deus nos ajuda? Quando você precisa do auxílio de um amigo, você pega seu celular e liga, manda um “zap” ou deixa recado no facebook. Da mesma forma, quando quiser falar com Deus, faça uma oração. Ghandi disse que rezar salvou-lhe a vida pois, sem a prece, teria ficado muito tempo sem fé. O Mahatma garantiu que rezar o salvou do desespero e, com o tempo a sua fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se ainda mais irresistível, a tal ponto que ele descobriu que a sua paz muitas vezes causava inveja aos outros. E afirmou: “como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura”. Podemos nos tornar agentes de uma nova era, mas ninguém precisa ser o salvador do mundo. Nossa missão é menor, embora não menos importante. Somos simplesmente seres humanos, envoltos em fraqueza e esperança, chamados a nos unir para mudar o nosso mundo, só que vai ser um coração de cada vez.

Orlando Ribeiro

Técnico do Executivo na Prefeitura de Votuporanga, mestre de cerimônias na Cerimon y All, especializado em cerimoniais de casamentos, debutantes e eventos corporativos

No Twitter: @orribe e endereço eletrônico:

orlando.leitor@gmail.com

Diário de Votuporanga