Publicado: sex, abr 14th, 2017

Santa Casa completa 67 anos dedicados a salvar sonhos

Neste domingo (16/4), Hospital comemora aniversário, com reconhecimento e gratidão dos municípios da região, lideranças e população

No dia 16 de abril de 1950, nascia em Votuporanga a Santa Casa de Misericórdia. Aquele crucial momento já revelava os sentimentos que comandariam a Instituição: amor ao próximo e dedicação. Se o Hospital surgiu para atender o município de Votuporanga, hoje, nos auges dos 67 anos que serão completados neste domingo (16/4), é referência para 53 cidades em alta complexidade, abrangendo quase 500 mil habitantes.
Os números demonstram todo tamanho da Instituição e a qualidade da assistência hospitalar. Somente no ano passado, foram 788.081 atendimentos. Foram 65.791 procedimentos de urgência e emergência e 11.623 internações.
O Hospital realizou 82.608 consultas ambulatoriais e 596.137 exames em 2016. Somando os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), particular e convênios, nasceram 1.530 crianças na Santa Casa. Cento e trinta e cinco bebês foram atendidos pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, recebendo todo cuidado e atenção necessários.
Diariamente, a Instituição oferece cerca de 1700 refeições para pacientes e acompanhantes e lava 1,2 toneladas de roupas. Com 196 leitos para internação, a referência, principalmente, em alta complexidade, acaba atraindo cada vez mais casos graves e que necessitam de tratamento especializado.
Atrelado a todos estes atendimentos, o Hospital também traz esperança. Desde 2012, a Santa Casa faz a captação de órgãos para transplante. Foram 210 procedimentos em 2016, sendo considerada a segunda Instituição que mais realiza captações na região.
Além de salvar vidas, o Hospital também é responsável por empregar pessoas, criando a grande família chamada Santa Casa. Atualmente, são 1051 colaboradores e 250 médicos compõem o Corpo Clínico.
A Santa Casa de Votuporanga oferece mais de 30 especialidades médicas: Anestesiologia, Cardiologia, Cardiologia Intervencionista, Clínica Médica, Cirurgia Geral, Cirurgia Cardíaca, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Plástica, Cirurgia Torácica, Cirurgia Vascular, Dermatologia, Endocrinologia, Endoscopia, Gastroenterologia, Ginecologia/Obstetrícia, Geriatria, Hemoterapia, Infectologia, Medicina Nuclear, Nefrologia, Neonatologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Pediatria, Psiquiatria, Radiologia, Radiologia Intervencionista, Reumatologia, Terapia Intensiva e Urologia.
O provedor do Hospital, Luiz Fernando Góes Liévana, comenta sobre o envolvimento da população com Hospital. “Como é gratificante estar como gestor e voluntário, contribuindo para que a Instituição continue salvando vidas. Quero agradecer o envolvimento da comunidade para construção e manutenção do Hospital, fazendo com que sempre crescêssemos. As colônias de imigrantes contribuem com a gente, desde início com leilões, desfiles, quermesses, todos os ex-provedores abnegados a uma causa, para comunidade ser atendida com respeito”, afirma. 
Ele parabeniza os envolvidos nestes 67 anos de amor ao próximo. “Fico muito emocionado. Queria agradecer a minha diretoria, por seguirmos juntos para que a Santa Casa seja digna, honesta e transparente. Agradeço a Irmandade e ao Conselho Administrativo, aos 200 voluntários que nos auxiliam sem querer dar nada em troca; médicos, prestadores de serviços; colaboradores; além dos parceiros Unifev, Prefeituras, em especial a Prefeitura de Votuporanga, por meio do prefeito João Dado, aos vereadores, deputado Carlão Pignatari, Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Sindicatos e, principalmente a comunidade, que tanto ajuda na manutenção dos atendimentos”, enfatiza. 
Presidente do Conselho Administrativo há mais de três anos, Jerônimo Figueira da Costa ressalta a importância da Santa Casa na região. “Analiso o Hospital, além da importância na saúde. A Instituição presta atendimento social, sanando necessidade de famílias mais carentes. Também há o contexto econômico. Votuporanga é centro regional de saúde, trazendo a população de toda região e refletindo para o nosso comércio, alavancando o progresso”, afirma.
Dr. Jerônimo acredita que o trabalho desenvolvido desde a primeira diretoria até a atual possibilitou o crescimento da Instituição. “Temos uma das melhores Santas Casas do Brasil, orgulho para nós do Conselho, cidadãos e para a comunidade”, complementa.

Lideranças destacam importância do Hospital
Exemplo para o Estado de São Paulo e para o país. Assim o deputado estadual Carlão Pignatari define a Santa Casa de Votuporanga. “É um centro hospitalar de referência da região, servindo, inclusive, de exemplo para outros centros maiores do Estado e até do País. Desde quando fui prefeito, tenho trabalhado, juntamente com uma equipe de pessoas abnegadas e voluntárias, para melhorar cada vez mais os serviços oferecidos e o atendimento à população. Recebemos pessoas de várias cidades e até de outros estados que vêm em busca de tratamento médico”, diz.
Carlão destaca o diálogo com autoridades federais e estaduais para a liberação de mais verbas para o Hospital. “O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre o valor total dos procedimentos. Mas, nem por isso, devemos deixar de atender as pessoas. É muito bom que toda a comunidade se esforce para manter o bom nome da Santa Casa e que nosso hospital tenha sempre recursos para oferecer o que há de melhor para a população em atendimento médico-hospitalar”, complementa.
O prefeito João Dado faz uma saudação à Instituição em comemoração ao aniversário. “Sua existência tem sido coroada de êxito através da assistência à saúde, salvando vidas e protegendo o nosso povo desde 1950. Nestes 67 anos, meu voto de louvor, elogios pelo trabalho realizado durante todo este tempo protegendo a vida e trabalhando em benefício da saúde da nossa gente”, ressalta.
Ele enfatiza a parceria da Prefeitura e Santa Casa. “Fizemos a retomada do convênio através da Organização Social da Saúde (OSS), importante principalmente para a população que continua sendo atendida pela gestão da nossa Santa Casa. Além disso, ampliamos o número de serviços prestados à exemplo da unidade coleta de sangue”, explica. Dado também cita sua atuação junto a deputados federais e Ministério de Saúde para custear a Instituição.
O presidente da Câmara Municipal, Osmair Ferrari, ressalta o sentimento de orgulho que a Instituição oferece aos votuporanguenses. “Apesar de todas as dificuldades que atravessam os hospitais e a saúde pública, oferece atendimento digno e humanitário aos pacientes SUS e convênios médicos. O seu corpo clínico, diretoria, provedoria e coladores trabalham para colocar nossa Santa Casa no patamar que a população merece”, afirma.
Além de todos os tributos destacados, a Instituição desenvolve o ensino e a pesquisa em parceria com o Centro Universitário de Votuporanga. “A UNIFEV é muito grata à Santa Casa de Votuporanga por todos estes anos de parceria. Estamos falando de duas importantíssimas instituições votuporanguenses, que há mais de meio século empregam centenas de famílias e atendem pessoas de toda a região. Por sermos uma Instituição de Ensino Superior (IES), a Santa Casa acaba sendo uma extensão das nossas ‘salas de aulas’ na arte do ensinar. É por meio dos estágios supervisionados no Hospital, que os alunos da área da Saúde unem seus conhecimentos teóricos aos práticos, possibilitando assim, um atendimento mais completo, humano e de excelente qualidade aos pacientes”, enfatiza o presidente da Fundação Educacional de Votuporanga (FEV), Celso Luiz Alves dos Santos.
Falando em parceria, o superintendente da Saev Ambiental, Waldecy Bortoloti também deixou seu depoimento. “A Santa Casa começou com os pioneiros, com todos trabalhando. As colônias faziam campanhas para ajudar o Hospital. É uma conquista de Votuporanga desde o início, salvando vidas, importante para toda a região. Precisamos tratar com carinho esta instituição, que mais de 70% dos usuários são SUS e governo federal deixa a desejar no repasse. Vamos colaborar com o Hospital, que é tão necessário”, afirmou.
Bortoloti parabenizou o provedor Luiz Fernando e os mais antigos. “Eu cumprimento todos os provedores que passaram com dedicação. Quero destacar que é um cargo voluntário. Eu faço parte da diretoria da Santa Casa, tenho muito orgulho porque atuamos voluntariamente, com satisfação. Parabéns, Hospital”, complementou.

Muita luta; sonhos realizados
A história da Santa Casa é atrelada a muita luta. Relatos dos ex-provedores demonstram as dificuldades financeiras, que foram superadas graças ao apoio da população.
O médico Adolfo de Melo esteve à frente do Hospital de 1975 a 1978. “A Instituição era bem menor do que é hoje. Atendíamos bastante pacientes rurais, pessoas indigentes. O nosso centro cirúrgico e a sala de enfermagem eram obsoletos. Atualmente, temos um Hospital moderno, que oferece todas as condições para melhor atendimento”, recordou.
Adolfo contou que suas viagens para São Paulo eram frequentes. “A gente recebia subsídio mensal do governo e sempre íamos pedir mais auxílio. Havia muita dificuldade financeira, mas tudo valeu à pena. Foi muito gratificante, os médicos trabalhavam de graça”, afirmou.
Como forma de gratidão, Mauricio Alves de Menezes assumiu o Hospital no período de 1993 a 1997. “Eu tinha um laboratório e tudo que tenho, devo à Santa Casa. Fui provedor para dar minha contribuição”, disse.
Na sua gestão, o Estatuto foi alterado. “Mudamos muitas questões, principalmente com relação à contratação, profissionalizando os processos seletivos. Com isso, trouxemos muitos especialistas de São Paulo e do Rio de Janeiro”, complementou.
Bingos no estádio Plínio Marin. Essa foi a alternativa encontrada pelo ex-provedor Walter Trindade nos anos de 1997/1998 para manter a Santa Casa. “Cada mês sorteávamos carros e motos para pagar as contas da Instituição. Lembro que vi essa iniciativa em cidades como São José do Rio Preto e Catanduva. Quando levei a proposta ao Conselho, recebi apenas dois votos favoráveis. Argumentei que compraria os prêmios em meu nome, somente assim consegui a aprovação. O empresário da época José Delgado foi quem doou o primeiro automóvel para a ação. Tivemos um gasto de R$6.300 para um retorno de R$44 mil”, relatou.
O Plínio Marin recebia 15 mil pessoas para o evento, que era realizado no domingo. “No sábado à noite, a gente mal dormia porque percorria os bares para comercializar as cartelas”, afirmou.
A campanha “Saúde que dá prêmio”, promovida em parceria com a Saev Ambiental e TV Unifev, também foi iniciativa de Walter Trindade. “Colhi as informações e apresentei a lei na Câmara Municipal”, complementou. Entre as conquistas a reforma da ala B e a Unidade de Terapia Intensiva.
Na sequência de Walter, veio o provedor Roberto Dias no período de 1999 a 2001. “Foram dois anos de muita dificuldade financeira. Mantivemos os bingos para auxiliar no pagamento de contas e efetuamos empréstimos para honrar nossos compromissos. O dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS) é insuficiente para atender a demanda”, disse.  O amor ao Hospital é tão grande que atualmente Roberto faz parte do Conselho Fiscal.
Ideval Geraldo de Freitas comandou a Santa Casa de 2001 a 2003. Para ele, o maior ganho em sua gestão foi conquistar a administração do SanSaúde. “O convênio era gerido por terceiros e conseguimos maior resultado quando nos tornamos responsáveis por ele”, contou.
Além do convênio, o marco foi a reforma e modernização da UTI. “Na época, o deputado federal João Dado conseguiu uma emenda no valor de R$100 mil para o investimento, aumentando a qualidade dos atendimentos”, recordou.
Ideval ainda mantém relação com o Hospital. Ele faz parte da irmandade. “Todos os provedores são heróis. Oferecemos serviços sem suporte necessário dos governos estadual e federal”, complementou. 
Provedor de 2003 a 2007, Junior Marão comentou sobre sua gestão. “Assumimos a Santa Casa em 2003. Naquele momento, o hospital estava em uma situação muito difícil, ou seja, pré-falimentar, descrédito junto à classe médica, funcionários, sociedade e governo. Portanto, o que mais marcou foi o resgaste da credibilidade e acreditar que poderíamos fazer uma Instituição referência em todo Estado. Acredito que conseguimos, pois alcançamos um novo patamar para Santa Casa”, contou.
Em sua época, foram inaugurados alas C, A, F, G; Pronto Socorro, Radiologia, Espaço Unifev, cozinha, corredor central, capela ecumênica, laboratório, centro cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, Hemodinâmica, Centros de Endoscopia, Urologia, Medicina Nuclear e administração.
Luiz Alberto Bressan (2008/2009) também possui várias histórias para contar. “Crescemos em atendimentos da região com Nefrologia, cirurgia cardíaca e Centro de Imagem, além de humanizar nossos serviços”, afirmou.
Bressan pontuou que foi possível investir em qualidade. “Entregamos a lavanderia, a Ouvidoria do Hospital, fraldário, brinquedoteca, ala José Delgado e, principalmente, o primeiro Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do Estado, que é o de Votuporanga. Somos gestores das unidades de Santa Fé do Sul e Jales”, complementou.
Para Valmir Dornelas, à frente da Instituição de 2013 a 2015, “ser provedor do único Hospital SUS de nossa cidade foi uma experiência maravilhosa, que trouxe muitas alegrias, realizações e, principalmente, uma satisfação pessoal enorme. Foi uma honra trabalhar e servir em uma entidade onde a missão é salvar vidas. Gostei tanto da experiência que continuo atuando como diretor e a Santa Casa já é parte da minha vida”. 
Foi neste período que a Santa Casa foi considerada Hospital Estruturante, referência em atendimentos complexos. A conquista é fruto de um trabalho de reestruturação de todo o Hospital, que conta com serviços de alta complexidade, administra um grande complexo de saúde, que integra AME’s, Farmácia de Alto Custo e unidades de saúde, e ainda a implantação do Curso de Medicina. Além disso, ocorreram melhorias como instalação de ar-condicionado em setores e alas do SUS, ambulatório de ortopedia e sala de pequenos procedimentos.