Publicado: sáb, fev 18th, 2017

Dr. Chaudes: Cefaleia e Automedicação

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, treze milhões de brasileiros apresentam dores de cabeça diariamente, um número maior que o encontrado em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo.

Esse é um dado alarmante. Dores de cabeça frequentes são chamadas de cefaleias crônicas diárias. Uma cefaleia está crônica quando acomete o indivíduo no mínimo 15 dias por mês, há, pelo menos, três meses. Ou seja, a pessoa está tendo dor dia sim, dia não, ou mesmo, diariamente.

As cefaleias crônicas mais comuns são a cefaleia tensional crônica e, principalmente, a enxaqueca crônica, e é dela que vamos conversar mais detalhadamente. Dificilmente alguém começa seu quadro de enxaqueca com dor diariamente. Até porque a enxaqueca se inicia entre a infância e a juventude, e começa com crises mais esporádicas. Muitas vezes as pessoas acreditam que essas crises são normais e se automedicam.

Para muitos, as crises sempre serão espaçadas, mas para outros ela tendem a aumentar de frequência. Principalmente em situações de exposição a mais estresse, rotinas muito pesadas e sono insuficiente. Para as mulheres, em razão de mudanças hormonais, como gestações e menopausa, as enxaquecas crônicas são bastante frequentes.

As pessoas costumam tomar analgésicos, aumentar as doses, depois ir trocando os tipos, pedir dicas para amigos, parentes e balconistas de farmácia sobre analgésicos mais potentes. Quando chegam ao especialista, a dor já é diária, e a lista de analgésicos que já não resolvem mais é grande. Isso acontece por vários fatores, como, dificuldade em encontrar um especialista para seu diagnóstico e tratamento corretos, banalização da dor, desconhecimento de que existe tratamento para enxaqueca e a crença na automedicação.

O uso excessivo de medicações analgésicas é hoje a principal causa da enxaqueca crônica. Analgésicos são medicações necessárias e excelentes para o tratamento das crises de dor aguda. O problema é a forma indiscriminada com que se usa, sem um diagnóstico e orientação médica adequada. O organismo vai se acostumando ao medicamento de uso contínuo e perde, cada vez mais, seus próprios mecanismos de regular a dor. E sem o analgésico a dor vem mais forte, e mais analgésico precisa ser utilizado. É um ciclo vicioso e perigoso, muitos pacientes têm que ser “desintoxicados”, ou seja, todos os medicamentos utilizados são suspensos, para que funcione o tratamento que vai prevenir a dor crônica.

Dor de cabeça crônica se trata com medicações chamadas preventivas, que tomadas diariamente, vão evitando que as dores sejam tão frequentes, e também que fiquem intensas. Com o auxílio de um especialista, o preventivo vai ser indicado caso a caso, após avaliação detalhada de cada paciente. A maioria dessas medicações é tomada via oral, mas também podemos lançar mão de acupuntura, orientações de rotinas e exercício físico regular, e mais atualmente, da toxina botulínica, já que seu uso foi recentemente indicado, especialmente para pacientes com enxaqueca crônica. Diga não à automedicação. Caso você tenha crises de dor de cabeça frequentes, procure orientação médica.

Artigo: Folha Regional