Publicado: qui, nov 17th, 2016

Manual de Vida: Orlando Ribeiro

Um texto que li, ainda nos tempos da faculdade, falava da complexidade do ser humano. E brincava, dizendo que todo bebê, ao nascer, deveria vir acompanhado do respectivo manual do proprietário, para que seus pais pudessem entender todo o “funcionamento” da nova criatura.

Entretanto, creio que o mais certo seria que este livreto fosse entregue a cada um de nós, para que, enquanto crescêssemos, pudéssemos entender melhor a vida. Seriam preciosas lições sobre como conservar o nosso corpo, alimentando-o corretamente, entendendo suas necessidades, amando-o de tal forma que depois, na nossa velhice, teríamos melhores condições de desfrutar de todo o conhecimento armazenado ao longo dos anos. Um manual que nos ensinasse que as pessoas todas com que nos defrontaríamos seriam, de certa forma, nossos professores nas mais variadas disciplinas. E todos os acontecimentos seriam as aulas e as provas. Aprenderíamos que seria permitido errar, que não havíamos nascido perfeito e que não era correto se desesperar a cada “nota baixa” recebida na escola da vida.
Os professores mostrariam que crescer é um processo de experimentação, sendo que as “falhas” seriam tão frequentes quanto os “sucessos” e que cada lição nos seria repetida até que aprendêssemos, não importando quantos anos e nem quantas vidas se passassem. Este manual nos mostraria o óbvio: se não aprendermos as lições fáceis de hoje, elas se tornarão mais difíceis amanhã. Que mudar é sempre de dentro prá fora. O nosso estado interior reflete o exterior e quando limpamos as obstruções íntimas, o mundo exterior muda, por isso, vez por outra, precisamos sofrer a dor dos ajustes, pois o sofrimento é o jeito de Deus de chamar a nossa atenção para os erros que estamos cometendo. Quando aprendermos determinada lição, nossas ações mudarão para melhor. Sabedoria não é teoria, é prática.
O manual teria um capítulo destinado a nos ensinar a necessidade de entender o lugar onde nos encontramos. Que o “aqui” tem tudo o que precisamos para crescer, evoluir e se sublimar. É “aqui” e não “lá”. E viver é terminar aqui o que começamos aqui e não há ninguém melhor ou pior, todos somos iguais até nas grandes ou pequenas diferenças. O próximo é um mero espelho de mim. Outra parte do livro seria dedicada a mostrar que nossa vida, só nós decidimos. A vida nos dará a tela, mas quem desenhará e pintará seremos nós. Em suma, a escolha das cores e dos pincéis será do nosso livre arbítrio, pois é preciso que tomemos para nós o comando de nossa vida ou outro alguém o fará, nos deixando reféns de desejos estranhos e adversos. No epílogo do manual, aprenderíamos que na vida, não existem vítimas, todos somos estudantes. Que temos de enfrentar as consequências de nossos atos, que não é nosso dever julgar as pessoas. Entender que é imprescindível que se faça sempre o melhor que pudermos. Todas as respostas da vida estão na vida e dentro de nós estão escritas as leis universais. Somos mais do que ouvimos ou aprendemos. Tudo o que precisamos para viver mais e melhor é olhar, prestar atenção, e confiar.